A farsa do calendário:
O primeiro dia da semana;
O primeiro do mês;
O primeiro do ano.
Uma pausa.
Um recomeço.
Viver carece da ilusão, se assim não fosse estaria sepultada a esperança.
As horas das voltas dos ponteiros.
Os dias em pequenas doses.
Séculos inteiros.
O que são ?
Se os dias estão pesados, arrasto-me até o fim de semana.
Se o ano está difícil, despeço-me dele no último mês e finjo que vai ficar tudo bem.
Mas não.
A natureza não sabe dos relógios.
Não sabe sobre a sexta-feira ou o dezembro.
Viver é mais que algoritmos dos números.
Saudade não cabe no calendário.
Não se pode quantificar a dor ou o exato instante da cicatriz da ferida.
Sentimentos não morrem ao final do dia.
O tempo não existe.
Tenho em mim clara percepção desta afirmativa.
As rosas não têm idade no jardim.
Não têm passado
Não têm o amanhã.
Só sabem sobre cores, perfumes e borboletas.
Se o tempo não existe, a vida se resume no que se faz no agora.
O inabalável instante presente é o começo, meio e fim de toda a existência.





