A sociedade moderna se acostumou a viver nos disfarces.
Da falta de tempo nas horas curtas da correria do dia,
no excesso de trabalho,
na falta de amor.
Se não me faz bem, viro o rosto de lado e suporto a dor.
Se há sangue no noticiário , desligo a tv e finjo esquecer o genocídio da guerra.
As redes condicionam a felicidade a vidas perfeitas, num mundo repleto de imperfeições.
Morre lentamente o senso natural da vida quando ser feliz exige aprovação de gente que nunca se viu frente a frente.
Morre todo e qualquer pensamento crítico quando se abdica do pensar por si mesmo.
E assim, se esgotam as possibilidades de sonhos reais porque viver exige também uma dose de realidade.
Não, a vida não é assim.
Há sempre um pingo fora do is.
Há sempre um hiato perfurando o coração.
Assim morrem civilizações inteiras, línguas e idiomas.
Disfarces, nos acostumamos a viver pelas aparências e a sorrir para quem nos despreza.
Eu quero um mundo de verdade.
Eu quero gente que não tenha medo de parecer ridícula por ser quem verdadeira é.
Eu quero pessoas e coisas que eu possa tocar.
Eu quero poder ser eu, mesmo se o mundo exija de mim, aparências.
@walterli.lima





