COLUNA DO PROFESSOR WALTERLI LIMA

A sociedade moderna se acostumou a viver nos disfarces.

Da falta de tempo nas horas curtas da correria do dia,

no excesso de trabalho,

na falta de amor.

Se não me faz bem, viro o rosto de lado e suporto a dor.

Se há sangue no noticiário , desligo a tv e finjo esquecer o genocídio da guerra.

As redes condicionam a felicidade a vidas perfeitas, num mundo repleto de imperfeições.

Morre lentamente o senso natural da vida quando ser feliz exige aprovação de gente que nunca se viu frente a frente.

Morre todo e qualquer pensamento crítico quando se abdica do pensar por si mesmo.

E assim, se esgotam as possibilidades de sonhos reais porque viver exige também uma dose de realidade.

Não, a vida não é assim.

Há sempre um pingo fora do is.

Há sempre um hiato perfurando o coração.

Assim morrem civilizações inteiras, línguas e idiomas.

Disfarces, nos acostumamos a viver pelas aparências e a sorrir para quem nos despreza.

Eu quero um mundo de verdade.

Eu quero gente que não tenha medo de parecer ridícula por ser quem verdadeira é.

Eu quero pessoas e coisas que eu possa tocar.

Eu quero poder ser eu, mesmo se o mundo exija de mim, aparências.

 

@walterli.lima

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