A política que destrói amizades e famílias 

É hora de mostrar um mínimo de maturidade, urbanidade e densidade argumentativa, o que muitos políticos e não políticos demonstram não ter

 

Sabe aquela rivalidade boba de futebol. É um ódio brando e relevável na maioria dos casos. O ódio entre as pessoas ganhou um novo nível durante a crise política que assola nosso país.

 

Certamente que algumas discussões do tipo surgiram em seu grupo familiar. Todos temos um parente extremista, que acredita fielmente em políticos ou partidos, defendendo-os ao custo da harmonia familiar. Imaginem quantas famílias se encontram fragmentadas por apoiar o jogo político de um ou de outro lado. Não estamos diante de uma guerra civil, mas diante de uma guerra de ignorância, pois vencerá aquele que fizer a maior bizarrice para chamar a atenção, ou elevar mais o tom de voz.

 

Quantos amigos você, caro leitor, perdeu desde o início da crise política e, também, econômica?

 

Piadinhas no trabalho, na escola, na faculdade, uma “indústria” da ofensa foi criada. Quem a criou ninguém sabe, mas é fato que quem a alimenta são os próprios políticos, pessoas que deveriam resgatar os bons costumes e a moralidade da sociedade. Para ser sincero, as pessoas estão desacreditadas de políticos. Você conhece algum que prega a paz entre as pessoas de opiniões contrárias? Se eu encontrar, serei seu maior seguidor.

 

Tenho a ousadia de chamar de “energumenismo” o movimento constante de incitar o ódio por meio de adjetivação e argumentação barata. É ridículo ver como as pessoas reduziram sua capacidade intelectual, sendo meros repetidores do mesmo discurso, que produz um eco sem fim.

 

Se a crise política terá um fim, não sei. Apenas posso afirmar que nenhum político deixará de ter a boa vida que tem para resolver problemas pessoais de seus apoiadores. Aos que não têm capacidade de dialogar sobre política sem atacar pessoalmente o interlocutor — “conteúdo” geralmente acompanhado com uma desnecessária e espartana elevação do tom de voz — recomendo, preserva a integridade da mente, da família e da comunidade. É hora de mostrar um mínimo de maturidade, urbanidade e densidade argumentativa, o que muitos políticos e não políticos demonstram não ter.

Por Thiago Linhares.

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