Antes que os relógios fossem inventados, o tempo dormia.
Havia apenas luz e escuridão, numa dança planetária sem pressa.
O metal reluzente, escondido na terra e ainda sem nome,
não se distinguia de uma pedra qualquer,
e o dinheiro, o “deus do mundo”, não havia sido concebido.
Pés descalços e mentes livres de teorias e crenças impostas percorriam este lugar, desconhecendo os deuses do universo.
O pecado não existia e, sem ele, o peso da culpa.
A natureza era tudo o que havia, sem muros, sem fronteiras.
Assim, a vida era apenas o fluxo natural do existir,
pulsando na suavidade do agora.
Até o dia em que um homem pensou para além de si mesmo.
E, nesse pensamento, o mundo, tal como o conhecemos, nasceu.
Nasceram então os muros, os relógios, o poder e tantas outras coisas.
E esse mesmo homem, em busca do significado de tudo, se perdeu.
Walterli Lima





