Ó VELHO ÍNDIO, Ó VELHO ITA.
Tu, que cruzaste estas terras.
Tu, que nasceste no princípio de tudo.
Teus arcos e tuas flechas.
Tuas águas e teu penar.
Ó velho índio, guerreiro esquecido, nômade em solo que já não é teu.
Ó velho Ita, resistente ao tempo, apesar dos ecocidas.
Quem há de contar tuas histórias nas curvas do tempo perdido?
Tu, velho índio, que nomeaste minha pátria.
Tu, velho Ita, que fazes a vida florescer.
Eu, filho deste torrão e das águas que correm entre pedras.
Ó velho índio, quem ainda escuta teu canto ancestral?
Ó velho Ita, quem há de apagar as chamas em tuas beiradas?
Talvez o vento que sopra em silêncio.
Talvez as águas que correm sem pressa.
Ou quem sabe o tempo, em sua eterna vigília.
Tu, bicho homem predador, de olhos de máquina e mãos afiadas, quebraste os arcos e as flechas e fizeste do rio um leito de dor.
Dedicado aos índios Timbiras e ao nosso velho Ita.
Bom fim de tarde.
Walterli Lima.





