Nada é só.
Tudo está conectado.
O vento suave lapida a pedra imóvel, o mesmo vento sacode as árvores que espalham suas folhas sobre a terra, folhas que transformam o chão em fertilidade. Do húmus nasce o verde das florestas, das florestas vêm a água, a chuva e os oceanos, e das águas brota a vida.
A mesma vida que pulsa em mim e nas borboletas que assistem às abelhas incansáveis semeando as flores nos jardins, enquanto pintam as cores dos átomos e do planeta. Essa esfera azul de fragmentos e poeira cósmica de meteoros e cometas que viajam em silêncio pelo vácuo do cosmo infinito. Infinito do meu íntimo desconhecido.
Eu, alfa e ômega, frágil matéria orgânica, também sou poeira de estrelas. Em mim habita a mesma luz que atravessa o universo há bilhões de anos, até repousar nas asas das borboletas, no brilho do mar e no olhar de quem contempla o céu.
Eu, efêmero e passagem,
sou o que passou e o que ainda não veio.
Nada é só.
Tudo é um.
Walterli Lima





