Toda espécie viva tende a evoluir com o passar do tempo, seja por sobrevivência ou adaptação ao meio.
A partir do nascimento o ser humano tem uma saga inteira pela frente.
Os primeiros passos, as primeiras descobertas, a puberdade, o açoite ímpeto da juventude, a vida para o trabalho até o tingir de branco dos cabelos e ao final os anos que ainda lhe sobrou.
A formação do caráter é escada moldada no correr dos anos, nos degraus das experiências vividas. E o caráter é o que sobra depois do despir das roupas.
Os gostos, as convicções, os limites, a essência. Resultados de uma vida inteira em construção continua.
É tempo demais…
Tempo demais para fingir ser quem não é.
O mundo doente é cada vez mais dos disfarces, de máscaras grudadas ao rosto em que impera o falso moralismo dos que dizem ser o que não são, ter o que não tem, sempre apostos a apontar o erro e a pôr para debaixo do tapete suas próprias imperfeições.
O trabalho, a política, a família, as igrejas, as ruas estão repletas de aparências.
O âmago da essência se escondeu.
Não quero na garganta o discurso dos de falsa moral a arrotar hipocrisia diante da mesa repleta de gente para mais tarde nas escuras devorar o prato que dizia não ser seu.
Quero os gritos calados do meu eu a aceitar e relutar o que sou.
Impuro, imperfeito e incompleto.
Meus erros e defeitos me corroem.
Tentando hoje ser melhor do que ontem, respeitando meus limites na esperança de poder ir mais além.
Não quero uma alma nua a sustentar um corpo bem vestido.
Quero a verdade escondida das coisas por trás das coisas que ninguém mais quer ouvir, não para dize-la aos quatros cantos do mundo com um troféu, mas para entender e lapidar quem eu sou.
Prof. Walterli Lima





