Hoje, desci as traseiras da casa rumo a ti.
Velho ITA.
Velho, cansado.
Paisagem corroída.
Um pouco menos hoje, um pouco menos amanhã.
É incrível como agente se acostuma a morte lenta dos rios, talvez, na mesma velocidade que nos acostumados com a despedida de um desconhecido na rua.
Uma vista.
Um aceno.
Um adeus.
A vida é assim.
Estamos sempre a nos despedir de alguém ou de alguma coisa pela última vez, sem saber.
Eu sou refém de tuas águas, não num cárcere, mas num desejo sempre de ficar.
Olho os trasuintes nas ruas.
Vejo a tarde suicida a morrer com o sol.
Os sonhos sempre inatingíveis.
Paisagem contraversa.
Outro dia avistei um berço de criança numa casa em ruínas.
Nenhum de nós sabe em que instante um sonho morre para outro nascer.
As pessoas mudam de ideias, mudam de versões.
Reféns da moeda.
É incrível a velocidade de como o dinheiro se tornou o deus do mundo.
Tú não.
Tú que sangra em silêncio.
Tú que só sabes sobre luar e amanhecer.
Velho ITA, gigante em ruínas, eu, pequeno menino em tuas beiradas só quero ser filho teu.
@walterli.lima





