COLUNA DO PROFESSOR WALTERLI LIMA: ARTESÃO DE FERRO

Sou um viajante perdido,

solitário e esquecido,

arrastado pela carroça do nada.

Se chove, eu choro.

Se faz sol, eu grito.

Sou um corpo sem nome,

uma alma sem cor,

sangrando nas ruas,

suportando a dor.

Artesão do acaso.

Andarilho, codinome.

Mãos calejadas, condenadas

ao pecado da fome.

Minha arte, minha vida.

Escultura em metal.

Palavras em curvas,

poesia esculpida.

Artesão de ferro.

Eu, um sem nome,

na vida, um fracasso

aos olhos dos homens.

Minhas mãos, meu talento,

esculpindo histórias,

vivendo ao relento.

Sou farto do nada,

mas quem nada tem,

nada teme,

e se nada teme,

é livre porque nada ama.

Walterli Lima.

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