Sou um viajante perdido,
solitário e esquecido,
arrastado pela carroça do nada.
Se chove, eu choro.
Se faz sol, eu grito.
Sou um corpo sem nome,
uma alma sem cor,
sangrando nas ruas,
suportando a dor.
Artesão do acaso.
Andarilho, codinome.
Mãos calejadas, condenadas
ao pecado da fome.
Minha arte, minha vida.
Escultura em metal.
Palavras em curvas,
poesia esculpida.
Artesão de ferro.
Eu, um sem nome,
na vida, um fracasso
aos olhos dos homens.
Minhas mãos, meu talento,
esculpindo histórias,
vivendo ao relento.
Sou farto do nada,
mas quem nada tem,
nada teme,
e se nada teme,
é livre porque nada ama.
Walterli Lima.





