Doce infância.
E se ao menos hoje o tempo caminhasse para trás…
Se a luz da lamparina confrontasse os olhos fixos nas telas luminosas,
Se o cheiro de mato verde ainda fosse o tempero dos dias.
Tempo cruel…
Manhãs infantis de domingo,
Rodas de conversa,
Pai, mãe,
Para nunca mais.
A palavra mais dura, seguida de um “sim, senhor”.
Colo, refúgio nas tempestades de raios e trovões a iluminar os céus.
Fogareiro, brasa, almoço posto à mesa,
O sol adentrando pela janela.
Lá fora, os dias apressavam-se sem que eu percebesse,
Faceiramente, um após o outro, e mais outro…
A bodega de antiguidades, o campinho de futebol no quintal, os amigos de infância do tempo em que a vida era bem mais despretensiosa.
Na parede, a fotografia envelhecida me sussurra:
Tempos que não voltam mais.
@walterli.lima





