De todas as horas do dia o entardecer me hipnotiza.
Nos silêncios que se formam nas sombras estendidas,
Nos instantes em que o dia se entrega a noite, não por rendição ou derrota mas para deixar a vida seguir em frente.
Vagamente,
Encontro-me com todos os pensamentos.
Um pulsar de paz adentra em mim.
Não quero coisas ao redor.
Coisas sem pulso, nem o duro metal que escraviza.
Basta-me, neste instante, o ar percorrendo as veias.
As perdas nos ensinam o quão é frágil a existência.
Inúteis planos arquitetados para o futuro, erguidos no terreno incerto do amanhã e o amanhã pode não existir.
A palavra não dita.
O sentimento não revelado.
O abraço deixado para depois.
A vida é curta demais para desencontros, para rancores que consumem os dias e criam ferrugem nos sorrisos.
O clarão tomado pela escuridão nos ensina que tudo é passagem.
Início, meio e fim.
Ainda é cedo para entregar-se à noite que ainda não chegou
E tarde demais para não amar.
No entardecer encontro o que de melhor tenho em mim.
Todo o resto é deixado para depois.





