COLUNA DO PROFESSOR WALTERLI LIMA: O VAZIO DAS COISAS E DOS SERES

Sou o olhar transbordado nas paredes caídas das ruínas.

Sou o desprezo do indigente debruçado na calçada atrapalhando a passagem.

Sou o silêncio inabalável dos sarcófagos nas tumbas dos faraós.

Sou a incerteza que brota todas as vezes que o sol vai dormir.

Estou repleto de vazios.
O vazio das coisas inúteis que me cercam.

A fragilidade dos sentimentos.

A bituca do cigarro abandonada na valeta da rua de onde foi retirado todo o prazer.

A vida é sempre assim, um sonho morre para dar lugar a outro.

A ruína fora antes moradia viva de olhos arregalados em volta da mesa.

O indigente também foi capaz de sonhar um dia, mesmo que vãmente.

Dos restos nas tumbas, pulsou um coração.

O vazio é sempre mais profundo que as abundâncias, pois nele reside o âmago das coisas e dos seres.

Sou forte, sou frágil.

Sou homem , sou mulher.

Sou a lágrima escorrendo na face.

Sou o eco do grito amordaçado.

Sou a insegurança na mão da criança abandonada pela mãe.

Eu sou o fim de tudo que há.

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PM DE TIMBIRAS

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