Blog do Professor Gil - Timbiras e Região

O “bate cabeça” que somente atrapalha na imunização

Mulher segura frasco rotulado como de vacina contra Covid-19 em frente a logo da Pfizer em foto de ilustração
30/10/2020 REUTERS/Dado Ruvic

A polêmica da quinta-feira (16), no que diz respeito ao processo de imunização contra a Covid-19, foi a continuidade ou não da vacinação em adolescentes entre 12 e 17 anos no Brasil.

O Ministério da Saúde, através do próprio ministro Marcelo Queiroga, anunciou a suspensão da imunização em crianças e adolescentes no Brasil, mantendo apenas a recomendação para as pessoas da faixa etária que estão no grupo prioritário, que inclui jovens com comorbidades, com deficiências permanentes ou privadas de liberdade. A justificativa seria por cautela devido à falta de “evidências robustas” sobre o tema e por conta da ocorrência de eventos adversos supostamente relacionados à imunização desse grupo.

O problema é que a falta de diálogo prevaleceu, já que a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), após essa decisão do Ministério da Saúde, afirmou que não existe evidências que sustentem mudanças nas recomendações previstas para uso da vacina da Pfizer em adolescentes. De acordo com a agência, os dados disponíveis sobre a morte de uma adolescente de 16 anos, do estado de São Paulo, após uso do imunizante não são suficientes para estabelecer que a vacina tenha causado o óbito.

A Pfizer, único imunizante autorizado para essa faixa etária, emitiu um comunicado reconhecendo a morte de um adolescente após a aplicação da primeira dose de sua vacina em São Bernardo do Campo (SP). Segundo a farmacêutica, o caso está sob investigação mas, até o momento, “não foi estabelecida uma relação causal entre o ocorrido e o imunizante”.

O problema é que esse “bate cabeça” não ajuda em absolutamente nada no processo de imunização, uma vez que agora, diante da celeuma inconclusiva, muitos pais e responsáveis de jovens entre 12 e 17 anos não devem mais levar seus filhos para a tomar a 1ª e/ou 2ª doses contra a Covid-19.

Na capital maranhense, o prefeito Eduardo Braide seguiu pelo caminho da ciência e vai manter a vacinação dos adolescentes entre 12 e 17 anos.

“Em São Luís, a vacinação de adolescentes contra a Covid seguirá normalmente, uma vez que Conass, Conasems, a Sociedade Brasileira de Imunizações e a própria Anvisa já se manifestaram favoravelmente pela continuidade da vacinação”, destacou.

Depois foi a vez do secretário de Saúde do Maranhão, Carlos Lula, também confirmar que todo o Estado seguirá com a vacinação em adolescentes.

“O Maranhão mantém a vacinação do público adolescente com e sem comorbidade, de 12 a 17 anos, enquanto aguarda manifestação oficial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que autorizou a vacinação deste grupo, no mês de junho. Deste modo, não há suspensão nem alteração da vacinação dos adolescentes no estado, neste momento”, disse Carlos Lula.

É aguardar e conferir.

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