Walterli Lima
Eu vejo o medo em nossas faces.
Pálido e latejante.
Medo que nos roubam as palavras.
Medo que nos afasta o combate.
Em nossos quartos, em silêncio, tramamos uma insurreição, ensaiamos um grito. Mais tarde, o medo sempre palpável, nos afugenta.
Em tempos difíceis, onde a amordaça do poder faz cessar as vozes e o temor passa a ser roupa vestida, resistir emerge como única saída.
É preciso coragem para seguir em frente.
Somos centenas.
Somos milhares.
Centenas de rostos ocultos.
Milhares de vozes caladas.
No silêncio das ruas nos reduzimos a uma meia dúzia de sussurros no eco de poucos dos gritos que se recusam a calar.
Nós que aceitamos naturalmente a derrota em sucessivas batalhas pelo simples medo de lutar.
Nós que assistimos em mutismo os nossos arderem na fogueira.
Seremos dignos dos louros da conquista se ao acaso ela assim vier ?
Na taciturnidade de uma multidão calada, pergunto-me.
– Onde está nossa voz?
@walterli.lima





