REFLEXÕES ACERCA DA HUMANIDADE: o poder, o dinheiro, as angústias e a serenidade em tempos difíceis
Blog do Professor Gil - Timbiras e Região

REFLEXÕES ACERCA DA HUMANIDADE: o poder, o dinheiro, as angústias e a serenidade em tempos difíceis

Por prof. Walterli Lima

Retornemos a mais de dois mil anos.

A multidão avistada de longe toma rapidamente as ruas de Jerusalém e cada vez mais gente se aproxima. Todos tentam avistar o homem que prega as boas novas em promessa de uma vida em abundância. Ele de roupas maltrapilhas seguido de perto por uma dúzia desconhecidos e desprestigiados num exército de invisíveis socialmente, aos olhos dos templos sagrados um ambiente muito diferente do que se esperava para o Messias.

A aversão às coisas mundanas, o amor incondicional ao outro, a convicção de suas palavras ao mesmo tempo firmes, ao mesmo tempo doces, soavam como flechas arrebatadoras da multidão.

É chegada a hora dos momentos finais da caminhada de Cristo. Há uma difícil batalha pela frente que será enfrentada com coragem e serenidade.

Serenidade é a imagem que melhor reflete seu semblante, mesmo em instantes de confrontos e angustias. Pouquíssimas foram as vezes que Ele abandonou a mansidão serena das palavras, talvez apenas ao defrontar-se com a casa de Deus transformada em mercado e entregue aos caminhos sujos do dinheiro.

Palavras, lições e atitudes espalharam-se como bálsamo no ar poluído de pecado e transgressões.

Sedição, o crime atribuído ao Messias, pelos que viam nele uma ameaça direta aos seus postos de poder e liderança sobre o povo.

Um homem que perdoa pecados sem nada cobrar em troca, misturado a gente simples nas ruas, gente sem posição social de destaque, sem grandes feitos ou conhecimento e que a apenas alguns dias atrás se via entregue aos pecados mundanos.

Libertar essa gente das amarras sociais e religiosas impostas, pô-los em ponto de igualdade com todos os demais, não em posses, mas em espírito, quebraria toda a hierarquia e domínio sobre ela.

Elimar a ameaça de Cristo foi a saída dos detinham a força e poder nas mãos.

É madrugada no jardim do Getsêmani, Cristo ora em voz baixa enquanto os outros estão entregues ao sono e cansaço do dia que passou.

Ele tem a certeza do que lhe guarda as horas adiante. A prisão, o flagelo a morte.

O cálice que aflige seu coração não é o das traições, dos açoites, do sangue escorrendo pelo corpo, mas sim o do fardo pesado do pecado da humanidade inteira sobre os ombros.

” Contudo, não seja como Eu desejo, mas sim como Tu queres”.

Mais uma vez a serenidade de suas palavras é um contraste ao sofrimento por vir.

O abandono dos seus, a cruz e a despedida. Dores reais em corpo de homem.

O maior líder de toda a história da humanidade.

Nenhum outro, em qualquer outro lugar do mundo ou momento da história, será tão lembrado por seus feitos e testemunho de vida.

Voltemos aos dias de hoje.

Um mundo repleto de angustias, medo e ambições, completamente entregue ao poder do dinheiro e das vaidades.

E se Cristo retornasse em corpo entre nós?

Malvestido, nas ruelas de periferias e favelas, abraçado aos pecadores e aos desclassificados socialmente, se opondo a ordem mundial do poder e algemas do dinheiro, revirando mesas em templos luxuosos cheios de gente rica às custas da fé dos que acreditam, pregando amor aos inimigos e perdão aos fracos da carne.

A abolida cruz não seria seu destino, talvez uma prisão qualquer ordenada pelos que mandam no mundo e diante da amarga indiferença de todos os outros homens até o encontro com a morte.

Não, não estou a fazer profecias.

São apenas espelhos das leituras do mundo e dos homens.

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